Ninguém odeia os Finlandeses

Um bom modo de aprender algo sobre alguém, é descobrir quem eles respeitam. Quem são os modelos em quem crianças finlandesas pensam quando decidem quem elas querem ser quando crescer? Quem são as pessoas, vivas ou mortas, que guiam, dão valores e direção aos finlandeses?

Dê uma olhada nos heróis nacionais finlandeses e sobre o que eles são famosos:

Alvar Aalto (salões de concerto, bancos passíveis de serem empilhados); Miika Häkkinen (por ter tido uma chance contra Michael Schumacher); Aki Kaurismäki (fazendo filmes sobre pessoas que dirigem através da Lapônia durante o inverno em carros conversíveis brancos, com o teto aberto ); Urho Kekkonen (por salto em altura e por lidar com a União Soviética).

Depois há também: Armi Kuusela (por ser bonita logo depois da guerra); Carl Gustav Mannerheim (por defender incansavelmente seu cavalo e seu país nos tempos de guerra); Unto Mononen (tango); Matti Nykänen ( salto com esqui, entretenimento); Jorma Ollila (adaptação finlandesa de Bill Gates); Teemu Selänne (por jogar hóquei no gelo e ser pago para isso); e Jean Sibelius (música clássica e charutos).

Claro que há mais heróis finlandeses que merecem ser mencionados, mas eu espero que esta lista sirva para ilustrar que tipo de herói cresce na Finlândia.

Uma coisa que sempre me intrigou sobre a Finlândia é que eles nunca tiveram um cara que fosse mau de verdade. Eu quero dizer, quase todo mundo carrega a sua cruz: a Alemanha tem Hitler, Rússia tem Stalin, os chineses têm Mao, os estadunidenses têm Bin Laden, têm Ceaucescu, Hussein, Bokassa, Pinochet, Drácula e Godzilla...

Os finlandeses parecem nunca ter produzido Dschingis Khan, um Pol Pot ou um Idi Amin. Ou eles nunca tiveram um verdadeiro cara mau, ou eles souberam escondê-los perfeitamente, até de si mesmos.

Finlandeses não têm inimigos naturais; seus vizinhos Rússia e Suécia, que freqüentemente lutaram sobre, na e contra a Finlândia, nunca tiveram nada pessoal. A Finlândia só aconteceu de estar infelizmente situada entre estes dois países.

Tem uma coisa intrinsecamente boa sobre a Finlândia. Nunca houve nem mesmo um maníaco genocida em toda sua história. Tudo o que eles têm são os Moomins, tropas de paz da ONU em países estrangeiros e, por Deus, eles até atrelaram o Papai Noel na retaguarda com seu trenó.

De alguma forma eles conseguiram fazer que o mundo acreditasse que na verdade eles são gente boa. Você nunca tem problema quando tem um passaporte finlandês. Ninguém sabe nada de mau sobre a Finlândia. Ninguém sabe coisa nenhuma sobre a Finlândia, porque eles também conseguiram se manter fora da memória do mundo inteiro. Os finlandeses normalmente “conduzem entrevistas” em outros países, perguntando às pessoas, “O que você sabe sobre a Finlândia?” E até então a amnésia tem funcionado perfeitamente.

As pessoas não sabem absolutamente nada sobre a Finlândia; apenas em raros casos alguém se lembra sobre a sauna finlandesa ou que os finlandeses criaram o Coquetel Molotov – e “esqueceram” de tomar o crédito por isso, na verdade eles se asseguraram de que ninguém se lembre que é uma invenção finlandesa.

Ninguém odeia os finlandeses. Isto é realmente assustador; eles são tão um povo profundamente inocente bebedor de leite, seguidor da lei, amante da paz.

Graças a Deus, pelo menos eles usam minas.


Texto original em inglês "Nobody hate the finns"; do alemão Roman Schatz